sábado, 31 de agosto de 2013

domingo, 25 de agosto de 2013

"Almanaque Machado de Assis", Luiz Antonio Aguiar


É um livro antigo, de 2008, mas bem atual. Muito importante para começar a entender o "Bruxo do Cosme Velho" Machado de Assis, o maior de todos os escritores. Recomendo.

Para saber mais, clique AQUI.


"1889", Laurentino Gomes


Delícia com certeza. Li os outros dois e recomendo esse mesmo sem ter lido ainda. Já encomendei. Não é bem um livro sobre Jornalismo, mas é escrito por jornalista. E nada melhor do que livros de histórias escritos por jornalistas não afetados pelo academicismo chato.
Leiam o que deu na Folha.

2013
O ano em que o jornalista Laurentino Gomes conclui, com a publicação de '1889', a trilogia de livros de história do Brasil de maior sucesso no país, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos

CASSIANO ELEK MACHADO
DE SÃO PAULO
Como boa parte das fábulas, esta envolve reis e rainhas, príncipes garbosos a cavalo e belas donzelas.

Mas, como nenhuma destas histórias encantadas, esta tem como protagonista um experiente jornalista de Maringá (PR), que se vê tocado pelo condão mágico num estande de um entupido pavilhão do Riocentro, no Rio.

Foi nesse cenário que Laurentino Gomes, 57, viveu seu conto de fada. "Entrei numa livraria na Bienal do Rio e o meu editor disse espantado: o 1808' está vendendo que nem pãozinho quente de manhã na padaria. Observe só."

Gomes plantou os olhos numa pilha enorme de seus livros, no centro da loja. "Uma atrás da outra as pessoas pegavam um exemplar e iam para o caixa."

De pé, naquela livraria Saraiva da Bienal, ele decidiu que largaria seu emprego e se dedicaria a este filão.

A história aconteceu há seis anos --e desde então muitos Maracanãs passaram pelos caixas de todo o país. Os dois primeiros livros de Gomes, "1808" e "1822" (lançado em 2010), superaram recentemente os 1,5 milhão de exemplares vendidos.

Nesta segunda-feira, o jornalista paranaense conclui sua trilogia, que já se configura como o maior fenômeno editorial de livros de história do Brasil. Neste dia ele faz, em São Paulo, o primeiro dos 33 lançamentos do seu novo livro já marcados até o Natal deste ano.

"1889", lançamento da Globo Livros, trata de temas pouco afeitos ao "hit parade" das livrarias: fim da monarquia, abolição da escravatura e começo da República.

Mas a tiragem inicial não faz feio nem para obras de vampiros, romances soft-porns ou histórias de bruxos. Serão 200 mil exemplares, o dobro da primeira fornada de "Harry Potter 3" e mais de seis vezes o número de largada de outra obra bem-sucedida recente sobre a história do Brasil, a biografia "Getúlio", de Lira Neto.

Mais do que o tema perfeito, Laurentino Gomes parece ter encontrado o tom adequado para abordá-lo.

"Obras como 1808' não trazem nada de novo. Mas Laurentino achou uma maneira muito atraente de apresentar esses episódios da história para o grande público", opina um dos principais historiadores do país, José Murilo de Carvalho.

"Consolido a bibliografia sobre estes episódios históricos numa visão jornalística, para o leitor não especializado no tema", corrobora Laurentino Gomes.

No terceiro livro, ele lança mão mais uma vez (e garante que será a última) de uma de suas armas secretas: a fórmula de usar como título um ano emblemático da história do país, que aparece em letras enormes na capa, e um subtítulo longo e bem-humorado que resume os principais fatos a serem descritos.

O subtítulo de "1889" é: "Como um Imperador Cansado, um Marechal Vaidoso e um Professor Injustiçado Contribuíram para o Fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil".

Os personagens (por ordem de aparição) são d. Pedro 2º, marechal Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Tal como nos best-sellers anteriores, Gomes colore a trajetória deles com um farto repertório de histórias pitorescas (veja abaixo).

Algumas são puros gracejos, mas outras revelam características centrais da história política nacional.

Numa carta a um sobrinho, escrita um ano antes que ele liderasse a derrubada do império, o grande herói republicano, o alagoano Deodoro da Fonseca, dizia o seguinte: "República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia".

MUSA DA REPÚBLICA

Gomes diz que mesmo quando liderou o grupo de militares que depuseram o governo de d. Pedro 2º, no 15 de novembro de 1889, Deodoro, primeiro presidente do país, ainda não tinha clareza se era a favor da República.

"Como outros episódios decisivos de nossa história, este envolveu uma mulher", brinca o autor.

Anos antes, Deodoro havia se encantado pela donzela gaúcha Maria Adelaide Andrade Neves, a baronesa do Triunfo. Mas ela preferiu os atributos de Gaspar Silveira Martins, político que virou inimigo do militar.

"Deodoro só optou pela República na madrugada do dia 16, quando ele soube que d. Pedro havia chamado Silveira Martins para substituir o ministro recém-deposto", diz.

Como sublinha enfaticamente em seu livro, a República brasileira foi anunciada com status de um regime "provisório".

E o primeiro governo, também provisório, foi decidido no Instituto dos Meninos Cegos, instituição no Rio que era presidida pelo professor Benjamin Constant.

"As manifestações recentes no país estão ligadas a isso. Quando foi criada a República não se discutiu as regras do jogo republicano. Isso só começou a ser feito há um par de décadas", afirma Gomes.

A TRILOGIA

'1808 - Como uma Rainha Louca, um Príncipe Medroso e uma Corte Corrupta Enganaram Napoleão e Mudaram a História de Portugal e do Brasil' (2007)
Editora Planeta
Prêmios Jabuti de Livro Reportagem e Jabuti de Livro do Ano 2008; Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras
Vendas mais de 1 milhão de exemplares

'1822 - Como um Homem Sábio, uma Princesa Triste e um Escocês Louco por Dinheiro Ajudaram D. Pedro a Criar o Brasil -- um País Que Tinha Tudo para Dar Errado' (2010)
Editora Nova Fronteira
Prêmios Jabuti de Livro do Ano 2011
Vendas 527 mil exemplares

'1889 - Como um Imperador Cansado, um Marechal Vaidoso e um Professor Injustiçado Contribuíram para o Fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil'
Editora Globo Livros
Quanto R$ 44,90 (416 págs.) e R$ 26,91 (e-book)
Lançamento segunda, às 18h30, na Livraria Cultura (av. Paulista, 2073, tel. 0/xx/11/3170-4033)


domingo, 11 de agosto de 2013

"Não conta lá em casa - Uma viagem pelos destinos mais polêmicos do mundo", André Fran


Li hoje matéria sobre este livro na "Ilustrada" da Folha (abaixo). Vale a pena conferir.

Apresentador narra bastidores de programa
Jornalista do 'Não Conta Lá em Casa' (Multishow) descreve experiências vividas nas viagens feitas para a atração
 Livro no estilo de diário de viagem traz visão pessoal de André Fran sobre 13 países que visitou a partir de 2009

GISLAINE GUTIERRE
DE SÃO PAULO

O jornalista André Fran, 36, já sentiu na pele o risco de morte no Iraque, sofreu uma forte intoxicação alimentar no Djibuti e se engajou em um trabalho humanitário no Japão devastado pelo terremoto.

Essas e outras aventuras foram vividas nas gravações feitas para o programa que ele mais três amigos apresentaram durante cinco temporadas no Multishow e que deve voltar ao ar em outubro, o "Não Conta Lá em Casa".

Mas Fran sentiu que tinha mais para contar sobre o que viveu nessa empreitada e agora lança, pela Record, o livro "Não Conta Lá em Casa -- Uma Viagem Pelos Destinos Mais Polêmicos do Mundo"

Nele, relembra as passagens do quarteto por 13 países, entre os quais a Coreia do Norte, onde ficaram o tempo todo escoltados por guias do governo, Tuvalu, ilha que pode ser engolida pelo aumento do nível do mar, e Etiópia, onde, ao acaso, entraram no meio de uma sessão de exorcismo.

"Fomos a mais ou menos 25 países, mas se formos contar as escalas, são mais de 40", diz Fran, que há cinco anos viaja pelo "Não Conta Lá em Casa". "O livro não é uma narração oficial do programa, mas uma obra pessoal, com as minhas visões."

O texto é despojado e se assemelha ao de um diário de viagem. É verdade que a narrativa às vezes peca pelo excesso de adjetivos, de advérbios de modo, e por algumas imprecisões ("casinhas humildes") nas descrições, mas traz informações interessantes, que Fran conta como se estivesse em uma conversa entre amigos, com direito até a piadinhas.

AMIGOS

Nesse sentido, não se distancia muito do programa de TV, que mostra quatro amigos de infância, companheiros de praia --Fran, Bruno Pesca, Felipe UFO e Leondre Campos-- que viajam pelo mundo e tomam o ponto de vista de pessoas comuns como base para compreender a realidade de cada país. A intenção não é fazer um documentário tradicional e formal.

O "Não Conta Lá em Casa" vai ganhar a sexta temporada, não mais com a mesma formação. Pesca e Leondre migraram para o Canal OFF e, no lugar deles, entrou Michel, que já trabalhava na edição do "Não Conta". "O programa vai mudar um pouco, vai mostrar a gente atuando mais na realidade dos locais que visitamos", diz Fran.

Os próximos destinos, para os quais embarcam nesta semana, são Israel e Palestina. Para Fran, isso significa mais uma oportunidade de "mudar o mundo", sua maior ambição, sobre a qual fala na introdução do livro --e que soa um tanto romântica.

Mas Fran, que já se chocou ao ver ossos humanos em entulhos um ano depois do terremoto no Haiti, e que bateu em retirada do Iraque em cinco dias --o mais rápido que pode-- porque diz que a realidade era bem mais cruel do que a mostrada pela propaganda do governo americano ("me senti enganado"), vai continuar insistindo no que considera sua missão.

"Acho que se nós fizemos algo, todo mundo pode fazer", diz.

NÃO CONTA LÁ EM CASA
AUTOR André Fran
EDITORA Record

QUANTO R$ 49,90 (308 págs.)

Para saber mais, clique AQUI.